Preta Gil

02/12/2008

 

Sou Soteropolitana e Carioca.

Eu me chamo Preta Maria Gadelha Gil Moreira, sou filha de Sandra Barreira Gadelha nascida em Salvador, minha mãe é uma típica Baiana com todos os atributos que uma baiana tem , engraçada, comunicativa, debochada, uma mãe zelosa e filha de Wangri e Liberalino Gadelha, tenho como Pai Gilberto Passos Gil Moreira nascido também em Salvador , filho da Professora Claudina do Dr. Jose Gil Moreira, ambos baianos. Meu Pai é um típico Baiano, carismático, poeta, musical e charmoso. Me considero uma mistura muito boa dos dois.
Eu nasci no Rio de Janeiro, no dia 8 de agosto de 1974, após meus pais voltarem do exílio em Londres, onde ficaram 4 anos. Viemos morar em Salvador, eu tinha apenas 11 meses, minha irmã Maria, que nasceu 8 meses depois, já nasceu Baiana. Eu fui batizada em Salvador, na Igreja da Boa Viagem, tenho Gal Costa e Roberto Pinho como meus padrinhos, dei meus primeiros passos na grama da nossa casa no stiepe, estudei na escola Junior no mesmo bairro, ia ao clube Costa Azul , quando ficava doente ia pra Urgil, comia passarinha no Jardim dos namorados, ia a praia na Boca do Rio com meus irmãos Pedro, Nara, Marília e meu Primo Moreno, nos finais de semana freqüentava o Iate Clube com meus avos maternos.
Antes de voltar pro Rio de Janeiro, passamos 11 meses morando na Califórnia, onde meu pai foi gravar um LP. Voltamos pro Rio, eu tinha 6 anos de idade, foi um choque, demorei a me adaptar na escola, todos zombavam do meu sotaque e da minha cor. Não me sentia carioca, tinha saudades de tudo em Salvador, sofri um ano inteiro até entender que existiam férias!!!! Voltei a Salvador e pude reviver tudo de novo e fazer novas descobertas. O primeiro namorado com 7 anos, a primeira vez que fui a uma festa no Gantois aos 8, a primeira vez que andei de patins numa pista no Edifício Oceania aos 9, a primeira promessa ao Senhor do Bonfim pedindo um namorado. O primeiro show do Paralamas do Sucesso na Concha Acústica, minha paixão por Luis Caldas e Sara Jane, as noites que passava no Zanzibar, meu primeiro carnaval da praça Castro Alves, enfim tantas coisas, tantos momentos inesquecíveis e tantos amigos maravilhosos.
Depois de me adaptar totalmente a minha dupla cidadania, morar no Rio e passar férias em Salvador, em 89, eu repeti de ano, no colégio Andrews, no Rio e como castigo vim morar com meu pai em Salvador, que na época era vereador. Mas que castigo bom!! Nos primeiros meses, sofri. Saudades do Rio de Janeiro, da praia de Ipanema, do Mac Donalds. Fui estudar no colégio Nobel, achava todo mundo chato, infantil, tinha 14 anos mas achava que era adulta. Não demorou fiz amizade com uma turma animada a bessa e não saía mais do Zuque Santana, uma casa que só tocava Salsa e Merengue. Foi um ano maravilhoso, adolescente repetente em Salvador. Morávamos em Ondina, que ainda não tinha carnaval, estávamos ansiosos pelo carnaval que se iniciava na barra, loucos pra sair na Timbalada, no entanto, uma tragédia familiar aconteceu. A perda de meu irmão Pedro fez com que nos mudássemos de novo pro Rio. Sofri de verdade dessa vez e nem senti falta de meus amigos, namorados, de Salvador.
Depois disso, só as férias daqui foram trazendo de volta a minha alegria. As descobertas continuaram, o axé começou a bombar, eu era sempre aquela que chegava no Rio e colocava Daniela Mercury, Margareth, Olodum pra tocar nas festinhas. Eu não sabia, mas já era embaixadora cultural e à partir daí, mesmo sem ter camarotes, eram sempre uns 20 amigos que iam comigo pra salvador no carnaval. Depois de adulta e já profissional, produzi um belo documentário sobre o carnaval de Salvador chamado “Chame Gente”, no ano de 98. Depois disso, resolvi me entregar ao meu verdadeiro dom e me assumi cantora e atriz. Foram anos cantando no Expresso 2222, trio do meu querido pai e dando minha garantida canja no trio de minha amiga Ivete. Cheguei até a ser repórter no carnaval, tive o privilégio de ser testemunha de encontros incríveis no Expresso. Pude aprender muito vendo a generosidade artística de meu pai, vendo a energia de Ivete, de Margareth, de Daniela, de Brown, de Xandy, de Marcio Vitor e tantos que amo. Sempre levei essa baianidade dentro de mim, esse amor por essa terra e esse povo. Recentemente, tive o privilégio de trabalhar com atores genias do Bando de Teatro Olodum. Foi gratificante participar de Ó Paí Ó, fico feliz em ver o sucesso deles e poder fazer parte disso.
Hoje, eu me sinto como naquela tarde na igrejinha da Boa Viagem sendo batizada. Agora não corrijo mais nenhum jornalista quando me apresentam como baiana. Hoje, eu sou no papel, o que sempre fui de coração: Baiana de Salvador.



Montagem feita por Adriano, adoro!!!!!!!

Escrito por preta gil às 14h35

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30/11/2008

Estou em Salvador, cheguei ontem e pude assistir ao show do meu pai no Teatro Castro Alves, foi emocionante. filmei um pedaço do show onde meu sobrinho Bento, entrou no palco e tocou com o pai dele o Bem e com o avó. Três gerações no palco foi fofo.
Acordei agora e achei que estava no Rio, chove , mas chove tanto. meu biquini não vai nem sair da mala.
Amanhã é o dia!!!!!!estou ansiosa.Depois mando mais notícias.
beijos
Preta

Escrito por preta gil às 14h06

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